Zezé Di Camargo recebeu R$ 20 milhões do governo em 2025

Além das verbas públicas, o cantor teve isenções fiscais governamentais neste ano

Zezé Di Camargo recebeu R$ 20 milhões do governo em 2025
Os benefícios recebidos contrastam com a postura pública do cantor. Foto: Augusto Urgente

O cantor sertanejo Zezé Di Camargo foi beneficiado com R$ 2,47 milhões em isenções fiscais após a prorrogação do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, ao longo de 2025, o artista recebeu quase R$ 20 milhões em recursos públicos por meio de contratos para shows financiados por prefeituras de diferentes regiões do país.

As informações sobre as isenções constam no relatório de acompanhamento do Perse divulgado em junho pela Receita Federal, conforme levantamento do Metrópoles, que revelou os valores obtidos por empresas ligadas ao cantor no período entre abril de 2024 e março de 2025.

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Empresas do cantor foram isentas de impostos

Na prática, duas empresas de Zezé Di Camargo foram beneficiadas com a prorrogação do programa. A Classical Holding Intermediação de Negócios Ltda deixou de pagar cerca de R$ 1,9 milhão em tributos, enquanto a MAC Produções Ltda foi isentada de aproximadamente R$ 571,4 mil.

O Perse previa a redução a zero das alíquotas de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep sobre receitas e resultados de empresas do setor de eventos, um dos mais impactados pela pandemia da Covid-19.

Criado em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro, o programa foi pensado como medida emergencial para socorrer o setor. Em 2023, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tentou encerrar o benefício por meio de Medida Provisória, alegando impacto fiscal. O Congresso, no entanto, reagiu e aprovou a manutenção do Perse, que passou a vigorar até atingir o teto de R$ 15 bilhões em renúncias fiscais — limite alcançado em abril de 2025, quando o programa foi oficialmente extinto.

Críticas a Lula e polêmica com o SBT

Os benefícios recebidos contrastam com a postura pública do cantor. Recentemente, Zezé Di Camargo esteve no centro de uma polêmica ao criticar o SBT e as filhas de Silvio Santos após a emissora receber o presidente Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes no evento de lançamento do SBT News, novo canal de notícias do grupo.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o sertanejo afirmou que o SBT estaria “se prostituindo” ao promover a presença das autoridades no evento institucional, declaração que gerou forte repercussão e críticas.

Dias depois, Zezé pediu desculpas públicas à emissora, reconhecendo o excesso nas declarações.

Zezé Di Camargo recebeu R$ 20 milhões do governo em 2025
Os cachês pagos variaram entre R$ 350 mil e R$ 600 mil por show, conforme documentos oficiais de acesso público. Foto: Curta Lavras

Lais Gouveia/Mídia Livre

R$ 20 milhões em shows pagos com dinheiro público

Além das isenções fiscais, Zezé Di Camargo também foi destaque por ter recebido quase R$ 20 milhões em verbas públicas ao longo de 2025 segundo levantamento do Metrópoles, confirmado pelo Splash.

O montante corresponde a contratos firmados com prefeituras para apresentações em festas municipais, aniversários de cidades e eventos culturais, realizados tanto em carreira solo quanto em parceria com o irmão Luciano.

As contratações foram feitas por meio da Classical Holding Intermediação de Negócios Ltda, empresa que representa o artista nos acordos com o poder público. Os cachês pagos variaram entre R$ 350 mil e R$ 600 mil por show, conforme documentos oficiais de acesso público.

Há registros de contratos em estados como Paraná, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Contradição em evidência

A soma dos valores — R$ 2,5 milhões em isenções fiscais e R$ 20 milhões em contratos públicos — expôs uma contradição entre o discurso crítico de Zezé Di Camargo em relação ao governo federal e os benefícios financeiros obtidos por meio de políticas públicas e recursos estatais. Todos os contratos e isenções citados são legais, públicos e previstos em lei, mas reacenderam o debate sobre o uso de dinheiro público para financiar artistas que se posicionam politicamente contra a gestão responsável pelos recursos.

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