Tribunal britânico diz que BHP é responsável por rompimento da barragem de Fundão em 2015
Mineradora é considerada responsável pelo maior crime socioambiental do Brasil; indenizações bilionárias em jogo
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- 15/11/2025 07:39 - Atualizado 15/11/2025 07:44

Com Reuters
A BHP pode ser responsabilizada pelo rompimento de uma barragem de Fundão em Mariana (MG), em 2015, decidiu o Tribunal Superior de Londres nesta sexta-feira.
Centenas de milhares de pessoas, dezenas de municípios e cerca de 2.000 empresas processaram a BHP pelo colapso da barragem de Fundão em Mariana, que era de propriedade e operada pela joint venture Samarco, formada pela BHP e pela Vale.
O pior crime ambiental do Brasil desencadeou uma onda de lama tóxica que matou 19 pessoas, deixou milhares de desabrigados, inundou florestas e poluiu toda a extensão do rio Doce.
A juíza Finola O’Farrell disse em um resumo de sua decisão que a BHP não deveria ter continuado a aumentar a altura da barragem antes de seu colapso, o que foi “uma causa direta e imediata do colapso da barragem, dando origem à responsabilidade baseada em culpa por parte da BHP”.
A decisão foi proferida pelo Tribunal Superior de Londres na sexta-feira (14), uma decisão histórica ao considerar a mineradora anglo-australiana BHP – uma das acionistas da Samarco – legalmente responsável pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, o maior crime socioambiental já registrado no Brasil, ocorrido em 2015.
A sentença encerra a primeira fase do megaprocesso movido no Reino Unido, que busca indenizações que podem chegar a R$ 230 bilhões para as vítimas. O montante final a ser pago pela empresa, no entanto, ainda não foi determinado e será definido em etapas futuras do julgamento. A BHP já anunciou que pretende recorrer da decisão.
A decisão e as provas
O julgamento sobre a responsabilidade da BHP teve início em outubro de 2024 e foi concluído em março deste ano. A defesa dos atingidos, representada pelo escritório Pogust Goodhead, apresentou evidências de que a mineradora tinha conhecimento dos riscos e teria recebido “sinais de alerta” sobre a fragilidade da estrutura da barragem pelo menos seis anos antes da catástrofe.
Os advogados destacaram, inclusive, a detecção de uma rachadura em agosto de 2014, classificando-a como “evidência de falha iminente”. Embora a BHP negue ter negligenciado os riscos, o Tribunal britânico acatou a argumentação das vítim
O vasto alcance da ação coletiva
A ação, ajuizada no Reino Unido em 2018, é uma das maiores do tipo e conta hoje com cerca de 620 mil autores. Entre eles, pessoas físicas, comunidades inteiras, municípios afetados (como os 31 que participam diretamente), igrejas e empresas que buscam reparação pelos danos causados pelo mar de rejeitos.
Segundo os termos do processo, a sócia brasileira da Samarco, a Vale, deverá arcar com metade do valor das indenizações que forem fixadas.
Próximos passos e recurso
A condenação da BHP abre caminho para a segunda fase do processo, prevista para outubro de 2026. Será nesta etapa que a Justiça inglesa analisará individualmente como cada vítima foi afetada e calculará o montante exato das compensações.

Em nota, a BHP confirmou a decisão, mas reiterou que considera o processo no Reino Unido “duplicativo”, argumentando que mecanismos de reparação já estão previstos no acordo firmado no Brasil. A mineradora também mencionou que a definição sobre os valores de indenização deve ocorrer apenas em novas fases do processo, programadas para “2028 ou 2029”.
O escritório Pogust Goodhead, por sua vez, celebrou a sentença como um “marco para as vítimas, que há dez anos buscam a responsabilização efetiva”. A decisão também confirmou que municípios brasileiros podem processar a empresa na Inglaterra e que as vítimas têm prazo até, pelo menos, setembro de 2029 para entrar com ações.
Relembre o crime
O rompimento da Barragem de Fundão, em 5 de novembro de 2015, resultou no derramamento de aproximadamente 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração. A lama destruiu comunidades, matou 19 pessoas, e contaminou o rio Doce e afluentes, chegando ao Oceano Atlântico no Espírito Santo. Ao todo, 49 municípios foram atingidos, direta ou indiretamente, ao longo de dez anos de tragédia.
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